Conformidade Digital

Livro de Reclamações e RAL: Obrigações no Site da PME

Checklist completo de links e informações legais obrigatórias (LRE, RAL, resolução de litígios) que o site da sua empresa tem de ter em Portugal.

Por Tejo Creative · Publicado em 2026-06-03

Atualizado em 2026-06-03

O livro de reclamações eletrónico obrigatório no site de qualquer PME que venda a consumidores em Portugal implica um link visível para livroreclamacoes.pt, resposta às reclamações em até 15 dias úteis e, em paralelo, informação sobre entidades de Resolução Alternativa de Litígios (RAL) ao abrigo da Lei n.º 144/2015. Isto aplica-se a lojas online, prestadores de serviços com formulário de contacto e negócios locais com página institucional — não apenas a grandes retalhistas.

Resposta rápida

É obrigatório ter o livro de reclamações eletrónico no site da empresa?

Sim, desde 1 de julho de 2018, fornecedores de bens e prestadores de serviços com contacto com o público devem disponibilizar o Livro de Reclamações Eletrónico e divulgar o acesso no sítio na Internet em local visível e destacado. Quem não tem site tem de ter e-mail para receber reclamações submetidas na plataforma. A obrigação do livro físico mantém-se nos estabelecimentos com atendimento presencial.

Fonte: ASAE — Livro de Reclamações; DL n.º 156/2005, alterado pelo DL n.º 74/2017

Infográfico sobre obrigações do Livro de Reclamações Eletrónico e RAL no site de PME em Portugal, com link livroreclamacoes.pt, prazo de 15 dias úteis e entidades de arbitragem de consumo.
Mapa mínimo de conformidade: LRE, RAL e informação pré-contratual no site da PME.

Sumário executivo

Em junho de 2026, a fiscalização de consumo em Portugal continua a cruzar queixas no Livro de Reclamações Eletrónico com a qualidade da informação no site — especialmente em e-commerce e serviços locais com reserva online. A LRE (Livro de Reclamações Eletrónico) e a RAL (Resolução Alternativa de Litígios de consumo) são obrigações distintas, mas costumam ser revistas em conjunto numa inspeção da ASAE ou numa queixa ao Portal do Consumidor.

Ponto principal: para uma PME com site WordPress ou Shopify e 50 a 500 encomendas/mês, o retorno mais alto não é um PDF jurídico de 40 páginas — é um rodapé padronizado com quatro links testados em mobile, alinhado com os termos de devolução e ASAE no e-commerce.

Aviso: texto informativo para equipas de marketing e gestão. Não substitui parecer jurídico. Coimas e competências variam conforme o setor e a entidade fiscalizadora.


1. O que a lei exige no site (mapa em quatro blocos)

Verificado contra a página da ASAE sobre o Livro de Reclamações (consultada em 3 de junho de 2026) e o regime do DL n.º 156/2005, as obrigações digitais para PMEs assentam em quatro pilares:

BlocoO que publicarBase legalOnde no site
LREAcesso à plataforma oficialDL n.º 156/2005, art. 9.ºRodapé, contacto, checkout
RALEntidade(s) de arbitragem + URLLei n.º 144/2015, art. 18.ºRodapé, termos, fatura PDF
IdentificaçãoFirma, NIPC, sede, contactoLei n.º 47/2014Rodapé, «Sobre nós», checkout
PrivacidadePolítica RGPD, cookiesRGPD + Lei n.º 58/2019Rodapé, banner cookies

O livro eletrónico não substitui o livro em papel nos estabelecimentos abrangidos pelo artigo 2.º do DL n.º 156/2005 — uma loja em Braga com balcão continua a precisar do formato físico, e do link no site se vende também online.


2. Livro de Reclamações Eletrónico: link, prazos e erros comuns

Obrigação de divulgação

O fornecedor deve divulgar nos respetivos sítios na Internet, em local visível e de forma destacada, o acesso à Plataforma Digital. A ASAE indica que a reclamação eletrónica tem a mesma validade que a reclamação em papel.1

Prazo / deverRegraNota prática
Resposta ao consumidorMáximo 15 dias úteis após a reclamaçãoContar a partir da data de submissão na plataforma
Sem siteEndereço de e-mail ativo para receçãoMonitorizar spam e caixa «noreply»
Livro físicoMantém-se onde há estabelecimento fixoNão retirar o livro da loja por ter LRE

Erros que vemos em auditorias de sites de PME:

  1. Link «Livro de Reclamações» que abre PDF interno em vez de livroreclamacoes.pt.
  2. Link só na página «Termos», escondido atrás de três cliques no telemóvel.
  3. Ninguém na empresa com acesso ao backoffice da plataforma para responder no prazo.

Exemplo — Carla, ginásio em Aveiro

Carla, 41 anos, gere o FitNorte Aveiro (prestação de serviços, 180 mensalidades, site Wix). Em fevereiro de 2026 recebeu notificação após reclamação no LRE sobre cancelamento de contrato. O site tinha «Reclamações» a apontar para um Google Form. Corrigiu em uma tarde: link oficial no rodapé, e-mail reclamacoes@ monitorizado pela gerente, modelo de resposta com referência ao prazo legal. Custo evitado: tempo de advogado e imagem perante clientes locais — anecdotally, ginásios são alvo frequente de queixas por períodos de fidelização; não assumo o mesmo volume em todos os setores B2B puro.


3. RAL: que texto colocar e como escolher a entidade

A Lei n.º 144/2015 obriga a informar sobre as entidades de RAL disponíveis ou a que a empresa está vinculada (adesão ou arbitragem necessária sectorial), incluindo designação e sítio eletrónico.2 A lista atualiza-se no Portal do Consumidor.

Situação da PMETexto-tipo no site / fatura
Aderente a um centro de arbitragem«Em caso de litígio, o consumidor pode recorrer ao [nome da entidade RAL], em [URL]. Mais informações em www.consumidor.gov.pt.»
Não aderenteIndicar entidade(es) de RAL competentes para o litígio (ex.: CIAB, CNIACC, Centro de Arbitragem de Conflitos de Consumo de [distrito])
Vendas transfronteiriças UELink adicional para a plataforma ODR europeia

Tabela — entidades RAL frequentes (referência 2026)

EntidadeÂmbito típicoSite
CNIACC — Centro Nacional de Informação e ArbitragemConflitos de consumo geraiscniacc.pt
CIAB — Centro de Informação, Mediação e ArbitragemConsumo (Lisboa e nacional)ciab.pt
CACRC — Centros de arbitragem por regiãoVariável por distritoConsultar lista em consumidor.gov.pt
Plataforma ODR UELitígios online transfronteiriçosec.europa.eu/consumers/odr

Onde estou menos seguro — em contratos B2B puro sem consumidor final — a Lei n.º 144/2015 não se aplica da mesma forma; ainda assim, muitas PME misturam clientes empresariais e particulares no mesmo site. Posição assumida: se vende a consumidores, trate o rodapé como obrigatório mesmo que 80% da faturação seja B2B.


4. Informação pré-contratual e resolução de litígios (além do rodapé)

Para contratos à distância, o DL n.º 24/2014 e a Lei n.º 47/2014 exigem informação clara antes da encomenda: características do bem/serviço, preço total, direito de desistência (quando aplicável), meios de pagamento e dados de contacto do profissional.3

ElementoPorquê importa para SEO e conversãoRisco se faltar
NIPC e sedeConfiança e transparênciaQueixa por informação insuficiente
E-mail e telefoneContacto efectivoMulta + má reputação
Política de devolução14 dias em e-commerceExtensão do prazo até 12 meses
RAL + LREFecho do triângulo legalContraordenação autónoma

Cruze com o checklist de lançamento de negócio online e com o guia RGPD — cookies mal configurados não substituem a ausência de LRE, mas numa revisão integral costumam aparecer juntos.

Nota de redacção para equipas de marketing

Não copie blocos legais de templates norte-americanos («Terms of Service» sem RAL, «All sales final»). Traduza e adapte para pt-PT; o consumidor português e as entidades de fiscalização esperam referências a diplomas nacionais e ao Portal do Consumidor.


5. Pesquisa original: visibilidade do link LRE em 15 sites (junho de 2026)

Metodologia: em 3 de junho de 2026, carregámos o HTML da página inicial de 15 domínios de retalho e serviços com presença em Portugal (amostra por conveniência: grandes marcas e PMEs com tráfego público). Registámos se o código-fonte inicial continha a string livroreclamacoes ou «Livro de Reclamações». Limitação: sites que injectam o rodapé só via JavaScript podem ficar falsamente negativos; não testámos área de cliente nem páginas legais profundas.

Site (amostra)Menção LRE no HTML inicialObservação
continente.ptSimLink explícito no rodapé
nike.com/ptSimTexto «Livro de Reclamações»
ikea.com/ptSimReferência à plataforma
mcdonalds.ptSimMúltiplas ocorrências
noteonline.ptSimPME de retalho online
perfumesecompanhia.ptSimE-commerce de nicho
atec.ptSimServiços / formação
worten.ptNão (no HTML inicial)Possível carregamento dinâmico
fnac.ptNão (no HTML inicial)Verificar páginas legais
decathlon.ptNão (no HTML inicial)Idem
leroymerlin.ptNãoIdem
parfois.com/ptNãoIdem
olx.ptNãoMarketplace — regras específicas
kuantokusta.ptNãoAgregador
sonae.ptNãoSite corporativo

Interpretação: mesmo marcas com equipas jurídicas nem sempre expõem o LRE no primeiro HTML — para uma PME, a regra prática é link estático no rodapé (âncora para https://www.livroreclamacoes.pt/), não depender de widgets tardios. Veredito técnico: prefira <a href="https://www.livroreclamacoes.pt/" …>Livro de Reclamações Eletrónico</a> em todas as páginas via tema filho ou bloco global.


6. Onde colocar cada link (wireframe para PME)

Zona do siteLRERALIdentificaçãoPrivacidade
Rodapé globalObrigatórioObrigatórioObrigatórioObrigatório
Checkout / formulárioRecomendadoResumo ou link termosNIPC visívelCheckbox cookies
E-mail transacionalLink na assinaturaFrase curta RALDados empresa
Google Business ProfileMorada/NIPC

«A conformidade legal não converte sozinha — mas a ausência de LRE visível mata a confiança antes do clique em “Pagar”.» — síntese de revisões de checkout em PME portuguesas, amostra interna Tejo Creative, maio de 2026 (N=9 projetos de web design).


7. Cenário completo: Rui, loja Shopify em Matosinhos

Rui, 36 anos, opera CerâmicaDouro.pt (Shopify, 90 encomendas/mês, ticket médio 48 euros). Em abril de 2026 um cliente submeteu reclamação no LRE por atraso de envio. Rui só viu o e-mail 22 dias depois — além do prazo legal.

ItemEstimativa
Tempo para implementar rodapé + alertas3 h internas
Template de resposta + registo1 h
Risco de contraordenaçãoVariável; ASAE publica regime sancionatório por incumprimento do livro1
Custo reputacional (avaliação Google)Difícil quantificar; 1 review 1 estrela persistente

Após corrigir, Rui passou a: (1) link LRE no rodapé Shopify; (2) reencaminhamento automático de notificações da plataforma; (3) frase RAL nos termos com link ao CNIACC; (4) alinhamento com política de 14 dias do guia ASAE para lojas online.


8. «Só colocar o link no rodapé chega?» — argumento em defesa e rebatimento

Versão forte: «O consumidor só precisa de encontrar o livroreclamacoes.pt. O resto é burocracia. Uma linha no rodapé cumpre a lei e não estraga o design.»

Há fundamento: o artigo 9.º do DL n.º 156/2005 centra-se na divulgação destacada da plataforma. Muitas PMEs pequenas cumprem minimamente e raramente recebem reclamações formais.

Rebatimento: a RAL é um dever autónomo (Lei n.º 144/2015). Em inspeção pós-queixa, o inspetor verifica pacote completo: identificação, contrato à distância, devoluções e arbitragem. Um rodapé só com LRE, sem RAL nem NIPC, continua incompleto. Além disso, resposta tardia à LRE gera segunda queixa — o link sem processo interno é decorativo. Posição: rodapé mínimo sim, mas acrescente RAL, dados da empresa e fluxo de 15 dias úteis documentado; para e-commerce, leia o guia ASAE antes de escalar anúncios.


9. Working checklist — auditoria ao site em 30 minutos

Conformidade LRE + RAL — revisão trimestral


    Perguntas frequentes

    Basta um PDF do livro de reclamações no meu site?

    Não. A obrigação é divulgar o acesso à Plataforma Digital oficial em livroreclamacoes.pt. PDFs internos não substituem o LRE nem a tramitação prevista na lei.

    A minha PME só presta serviços B2B. Preciso de LRE no site?

    Se não vende a consumidores finais, o regime do livro de reclamações pode não se aplicar da mesma forma. Se mistura clientes empresariais e particulares, ou se um «consumidor» encomenda no site, assuma a obrigação. Em dúvida, valide com advogado — o teste prático é a existência de contratos de consumo.

    Qual o prazo para responder a uma reclamação no LRE?

    O fornecedor deve responder no prazo máximo de 15 dias úteis a contar da data da reclamação, para o e-mail indicado no formulário, salvo prazo inferior em lei especial.1

    Tenho de aderir a um centro de arbitragem?

    Nem sempre. Muitas PMEs não aderem, mas devem informar sobre entidades de RAL competentes. A adesão pode ser vantajosa em setores com muitos litígios, mas implica custos e regras próprias do centro.

    O link pode estar só em português no rodapé?

    Sim, desde que visível e destacado. Se o site é bilíngue, inclua a versão em inglês por cortesia, mas a obrigação nacional exige clareza para o consumidor português — pt-PT no texto legal.

    Relação entre Livro de Reclamações e Portal do Consumidor?

    São canais diferentes. O LRE regista reclamações formais contra o operador económico. O Portal do Consumidor informa sobre direitos e lista entidades RAL. O seu site deve apontar para o LRE; a menção a consumidor.gov.pt costuma acompanhar o bloco RAL.


    Veredito

    Para a PME portuguesa em 2026, o livro de reclamações eletrónico no site deixa de ser «rodapé esquecido» e passa a ser infraestrutura de risco: link oficial, RAL identificada, identificação societária e processo de resposta em 15 dias úteis. Antes de investir em web design que converte, feche este pacote — é barato, fiscalizável e visível para o cliente no momento da queixa.

    Próximos passos

    Faça uma auditoria de 30 minutos com a checklist acima, alinhe e-commerce com o guia ASAE e, se precisar de implementação no WordPress ou Shopify sem quebrar o design, fale connosco.


    Fontes primárias

    FonteTipoURL
    ASAE — Livro de ReclamaçõesOrientação oficialasae.gov.pt
    Livro de Reclamações EletrónicoPlataforma oficiallivroreclamacoes.pt
    ASAE — Resolução alternativa de litígiosFAQ oficialasae.gov.pt
    Portal do ConsumidorLista de entidades RALconsumidor.gov.pt
    DL n.º 156/2005Legislação (livro de reclamações)DRE
    Lei n.º 144/2015Legislação (RAL)DRE
    Plataforma ODR (UE)Resolução litígios onlineec.europa.eu

    Footnotes

    1. ASAE, página «Livro de Reclamações» — prazo de 15 dias úteis e obrigatoriedade do formato eletrónico desde 1 de julho de 2018; consultado em 3 de junho de 2026. 2 3

    2. ASAE, FAQ «Resolução alternativa de litígios de consumo» — deveres de informação do artigo 18.º da Lei n.º 144/2015; consultado em 3 de junho de 2026.

    3. DL n.º 24/2014 e Lei n.º 47/2014 — informação pré-contratual e contratos à distância; consultado em 3 de junho de 2026.